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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O santuário de Sepé


Nesta data, após 261 anos da morte do são-luizense Sepé Tiaraju, a experiência Jesuítica/Guarany ocorrida neste lado do planeta continua repercutindo e nos provocando...

Para falar sobre este tema que me encanta, dividi ele em três partes:
1ª) A religiosidade do povo Guarany.
2ª) O Santuário de Sepé.
3ª) A verdadeira face do Tratado de Madrid.
  

São temas históricos resultados de profundas "reflexões"
Na verdade tem pouco de história e muito de reflexões...
Caso tenha coragem, siga lendo! 


A religiosidade do povo Guarany:
A palavra Guarany significa:guerreiro, porém sempre foram um povo pacífico e místico, que já tinham sua religiosidade muito antes da vinda dos jesuítas. 
A ancestral busca da Terra Sem Males prometida por Nhandevuruçu(Deus supremo dos guaranys), comprova isso. 
De acordo com as lendas guaranis, o primeiro contato com a cruz foi através da figura de Sumé*, a quem padre Anchieta dizia ser São Tomé, que andou pelos Caminhos de Peabiru**!

Mesmo com sua característica nômade, de sempre estar no caminho, era um dos poucos povos nativos que plantavam seus roçados para colher e estocar alimentos, pensando no mais tarde. 
Um grupo ia na frente plantando e cuidando os roçados para o restante realizar meses depois a mudança.
O normal das outras tribos era comer o que viam no momento, sem preocupação nenhuma com o amanhã. (Vide os temíveis Charruas...)
Essa organização social, agrícola e principalmente a religiosidade, surpreenderam positivamente os Jesuítas, que por sua vez propuseram, a sua maneira, uma aliança duradoura. Convenceram os guaranis de que a Terra Sem Males seria construida em conjunto com eles.
Aos poucos introduziram os rituais religiosos da doutrina cristã. 

As artes e os rituais religiosos
Com essas atividades, os jesuítas catequizaram os guaranis e elas foram aceitas com muito encantamento pela maioria.

O Guarany é um povo pacífico, porém implacável na vingança! Sempre existia um fundo religioso até nas vinganças. 
Cito quatro casos:
a) Na batalha de "Y"(Guaranys eliminaram furiosamente aldeia Charrua que havia destruído redução de Yapeju)

b) Os guaranys consideravam os portugueses como demônios vivos, esse ódio alimentou os ânimos durante a vitória na batalha de M'Bororé. E continuou até o massacre de Caiboaté.

c) Outro fato(relatado pelo diário de guerra do padre Tadeu Xavier Henis) que demonstra a religiosidade do povo guarany é o de sua lentidão em deslocamento para os combates e a desunião e desorganização nos mesmos, no entanto havia uma total prontidão para os rituais litúrgicos antes dos próprios combates.

d) Após a traição de Caiboaté(guaranis receberam promessa de trégua de três dias,mas foram cercados imediatamente, sem aviso), os poucos que escaparam com vida, retornaram às reduções, ao chegarem, dirigiam-se primeiramente aos altares para realizar suas orações e agradecimentos, ignorando os poucos padres que ficaram ao lado da causa dos Sete Povos*, mais que isso começaram a tratar também a estes padres, como traidores ou omissos ...




O Santuário de Sepé 


Sepé Tiaraju era "célebre"
Assim cita no seu diário de guerra o padre jesuíta alemão da redução de São Lourenço, Tadeu Xavier Henis.
Li certa feita um historiador minimizando essa expressão, dizendo que o padre se referia a Sepé como célebre apenas diante a aldeia ou aos índios... 
Mas os jesuítas sabiam o significado de cada palavra, assim como nós ao visitarmos uma localidade e dissermos que uma moça é bela, estamos nos referindo ao local, porém se dissermos que ela é linda é perante a humanidade.


Sepé tinha carisma! 
Mesmo sem ser chefe superior da sua redução, cargo ocupado por Alejandro MBaruari, morto nos primeiros combates, Sepé conseguia que seus comandados se locomovessem com agilidade, ordem e disposição. Coisa que os outros comandantes não conseguiram e foi decisivo para o fracasso da resistência.

Obs:Cada redução tinha sua autonomia, não existia uma "Capital das Missões"!
Na verdade era muita autonomia, e isso resultou em desunião na resistência.
Houve brigas internas, desconfianças e acusações.
Outro fato que merece reflexão é de que existia uma certa esperança por parte dos guaranys, de que o absurdo Tratado de Madrid fosse derrubado, isso explica em parte a apatia em muitos momentos e o despreparo no massacre em Caiboaté.


Sepé era admirado pelos seus! 
Fato comprovado após sua morte que muitos tentaram aos gritos(pois não tinham mais armas) retroceder os 300 soldados que o cercaram. Depois retornaram a noite para recuperar seu corpo. 
Na morte do corregedor de São Luiz(Francisco Guacú) e o de São Miguel(Alejandro MBaruari), não houve comoção nenhuma. (Isso também nos conta o diário do padre Henis.)


Sepé Tiaraju e os Guaranys dos Sete Povos  
Não lutavam apenas pela terra em si,muito menos por teorias ou padres, lutavam pelo o local sagrado que ela representava.
Lutavam por aquele local e não outro! 
Naquelas esplendorosas estruturas que construiram com suas mãos(que hoje se resumiram a poucas ruínas), estava a garantia de encontrarem um mundo melhor. 
As Reduções era o verdadeiro Santuário! 
Por ela é que entrariam na Terra Sem Males.


*Citei acima que a causa era dos Sete Povos e não dos 30 povos, porque aqui no lado oriental, era um local diferente dos outros povos, local de confronto, ponta de lança.  A companhia de Jesus entregou juridicamente os Sete Povos a Deus dará, para que o Tratado de Madrid fosse cumprido, pensando assim com esse gesto traiçoeiro saciar a fome do lobo. Mal sabiam que eram eles o prato principal..
Mas isso é assunto para a próxima postagem.
Hoje falei de dois, o outro fica para depois...




 







Aqui ao lado foto Sepezinho quando era criança e ainda morava em São Luiz Gonzaga.













Fonte: Diário Padre Tadeu Xavier Henis, jesuíta de origem alemã que era da redução de São Lourenço.

Obs *: Ficou curioso sobre Sumé? 
Clica aqui:https://pt.wikipedia.org/wiki/Sum%C3%A9

Obs **: Nunca ouviu falar dos Caminhos de Peabirú?? 
Clica aqui vivente:http://www.historiabrasileira.com/brasil-pre-colonial/caminho-do-peabiru/


domingo, 23 de outubro de 2016

MANO LIMA:Um Bororiano no centro de Maçambará

Estive em Maçambará e conheci o povo de lá!
Em linda festa, na noite do dia 21 de outubro de 2016, inauguramos o Monumento ao cantor gauchesco, filósofo e homem campeiro chamado Mano Lima.
Descobri de onde vêm a originalidade e a força do Mano Lima:
Vêm da sua gente!
É fácil sentir isso caminhando por lá. 
Cidade limpa e povo hospitaleiro. Digo isso, porque me senti em casa...
Mário Rubens Battanolli de Lima ou Mano lima é do Bororé(2º distrito de Maçambará)e como ele mesmo me disse: " fui fecundado num banhado do Bororé! por isso gosto tanto dos banhados..."


Recebeu homenagem em vida! 
Dos seus conterrâneos!Coisa rara isso!!
Qual prova maior de gratidão?
Senti sua emoção, ao notar sua fala de agradecimento na noite do evento.
No princípio, devo confessar, ele ficou em dúvida(isso coisa de um ano atras) se aceitaria a homenagem proposta pela cidade de Maçambará; tinha receio de ser confundido com vaidade ou exibicionismo!
Disse a ele que não seria apenas uma desfeita, mas também impedir a cidade de se beneficiar de sua imagem para fortalecer o turismo.
Paixão Côrtes recebeu bonito monumento em sua terra natal, minha querida Santana do Livramento(onde morei por muitos anos).
Pelé recebeu monumento em 3 Corações... 
Não é proibido homenagear pessoas vivas, a questão é saber: 

1º)"quem merece?" 

2º)"trará retorno para comunidade?"



Economicamente falando: uma cidade ter um símbolo vivo e não saber tirar benefícios culturais e turísticos disso é no meu ver "perda séria de divisas".
E têm a máxima de que: "se a terra natal não faz, outra cidade fará..."


Eu me senti honrado em ser o escolhido para realizar o monumento, não só pelo fato de conhecer e querer bem o homenageado, mas principalmente por ser admirador da sua arte e seu estilo autêntico de Ser!

Abaixo fotos e por fim vídeo:







Aqui abaixo vídeo da Guardiã do Monumento: A cadela Baia!.




domingo, 21 de agosto de 2016

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mãe Crioula






Dia 05 de Abril de 2016, inauguramos a Fonte Mãe Crioula
Uma homenagem da Família Oliveira Dutra à sua mãe Amélia Oliveira Dutra e por sequência a todas mulheres destes pagos sulinos.
Na cena uma mãe moendo o alimento diário enquanto observa seus filhos brincando em uma nascente. Hoje seria raríssimo essa visão, na época era rotineira na maioria dos lares.
Da terra tiravam o sustento, o alimento era plantado, colhido e transformado. Um ciclo milenar que no decorrer dos anos foi se modificando, mas permanece a essência.
A mãe protetora que foi dona Amélia deixou ensinamentos ainda hoje repassados.
Foto acima, os filhos presentes no momento:
 Samuel, Marlene e Olívio Dutra

O carinho, o cuidado pelo local sagrado do lar é percebido por amigos e até por transeuntes.
Quando transformamos nossa casa em Lar, cada árvore conta muita história; por isso nem os galhos secos por eles são cortados, esperam que caiam para daí sim serem transformados em lenha.
Sinto que em parte é a saudade que faz agirem assim, como querer manter vivos aqueles gigantes que serviam de referência diária... E outro tanto é pelo compromisso de tentar ser igual ao que seus pais foram, repassando essa luz aos seus descendentes.
Mantendo acessa a Chama ou neste caso: 
Mantendo limpa as fontes!







Informações sobre a obra:

Nome Escultura: Fonte Mãe Crioula
Homenagem às mães crioulas do Rio Grande do Sul e mundo. Representa uma cena do cotidiano de antigamente. Uma Mãe moendo no pilão o alimento diário e observando seus filhos brincando numa nascente.

Escultura feita manualmente em concreto armado.
Tamanho: 2 metros de altura(figura central).
Autor: Vinícius Ribeiro escultor.
Inaugurada em 05 de Abril de 2016.
Localização: Residência Família Oliveira Dutra 
São Luiz Gonzaga, Missões, Rio Grande do Sul, Brasil.





Obs: É a segunda Fonte que faço para esse local! Para saber sobre a outra fonte, chamada "Protetora das Águas" clique aqui: 


E aqui um vídeo:














domingo, 7 de fevereiro de 2016

Os VERDADEIROS verdugos de Sepé


Hoje, 260 anos da morte de Sepé Tiaraju!



Em comemoração a esta data reproduzo o seguinte texto que pronunciei no  1ºEMICULT- Encontro Missioneiro de Estudos Interdisciplinares em Cultura – da UNIPAMPA (Universidade Federal do PAMPA) Campus São Borja, que fez arrepiar os historiadores sérios.



Foi um"Golpe de Peito" Um "Peitaço!"
Fui no evento a convite da profª Sônia Bressan Vieira, URI-(Universidade Regional Integrada) Campus São Luiz Gonzaga.




Falei sobre o estilo artístico criado para Exaltar e Reivindicar o Esplendor de Outrora das Missões!









Aproveitei e lancei a "Grande Teoria"!
O motivo verdadeiro da assinatura do Tratado de Madrid que devastou todos as as Missões Orientais Jesuítica/Guarany.


Leia se tiver coragem:
E saiba o que dizer, quando alguém te perguntar na rua: 
"Escuta fulano: Quem matou Sepé??"



"REALISMO MISSIONEIRO"
A Arte produzida hoje nas Missões

Estilo artístico audaciosamente criado para Exaltar e Reivindicar o esplendor da região histórica das Missões, atual Noroeste do Rio Grande do Sul, Brasil.
A formação das reduções Jesuítico/Guarany e seus 30 povos espalhados pelo Paraguai, Argentina e Brasil, constituem uma das experiências sociais mais interessantes da humanidade. 
A união entre a disciplina sábia dos Jesuítas com a mística Busca da Terra sem Males dos Guaranis produziu um resultado fantástico até então não imaginado: O Socialismo Cristão.
A região denominada Sete Povos das Missões, pertencentes ao lado oriental do rio Uruguai, onde hoje se localiza a região Noroeste do Rio Grande do Sul, foi o capítulo mais marcante dessa história.
As Missões do lado de cá do rio Uruguai, as Missões Orientais, foram diferentes das demais...
Devido a sua proximidade com o império português, foi instável e conturbada durante sua existência.
Foi sempre frente de batalha! Ponta de lança afiada!
As constantes defesas diante aos Bandeirantes provocaram mudanças nos habitantes orientais, diferenciando dos Missioneiros do lado ocidental do rio que vivia em paz. 
A sensação de conflito exigia eterna vigília, a tensão forçada diferenciou um dos outros pela dor...
Essa diferença ficou mais evidente com a notícia do absurdo Tratado de Madrid, foi decretado o fim da relativa paz conquistada com o triunfo na batalha de M’Bororé.
A decisão missioneira em confrontar a Comissão Demarcatória (responsável pela demarcação da nova fronteira entre Portugal e Espanha) deu início aos anos tensos e sofridos.
Esse sofrimento, imposto aos habitantes das Missões Orientais foi moldando características próprias transformando religiosos em guerreiros.
Saíram os Missioneiros em defesa não de teorias ou congregações, mas sim dos seus lares. Nesses momentos é que surgem os líderes e conseqüentemente os heróis.
O massacre de Caiboaté, três dias após a morte do líder Sepé Tiaraju, foi mais uma traição; na ilusão de última tentativa de diálogo os Missioneiros foram silenciados pela espada afiada dos exércitos mais poderosos da época, de Portugal e de Espanha.
Morreu Sepé e os demais sem saberem o real motivo do vil Tratado de Madrid!
Foram expulsos todos os Jesuítas também sem saberem; mas com o passar do tempo e da distância foram desconfiando...
Quem era os verdadeiros inimigos? Os portugueses ou os espanhóis? Ou quem mais?
O motivo de tanto sofrimento imposto às Missões era obscuro, hoje é cristalino!
Sua explicação faz-se necessária para compreendermos as conseqüências até hoje da aniquilação absurda do Esplendor das Missões, no seu período de ouro, de prosperidade.
A Grande Traição a qual denomino é referente ao motivo Verdadeiro do Tratado de Madrid.
Um motivo secreto guardado a sete chaves.
A Grande Traição não veio dos reis de Portugal e Espanha e sua “troca de terrenos” (entre Colônia do Sacramento e os Sete Povos das Missões Orientais), mas sim de mãos sinistras por detrás dos anéis dos soberanos, mãos ditas “sagradas” dos co-irmãos dos Jesuítas.
“Irmãos” que temiam não apenas uma nova nação próspera, resultante do êxito das Reduções, mas sim uma Nova Religião Cristã, desvinculada de Roma. Organizada e poderosa!

As Reduções pagaram um preço alto pelo resultado positivo. 
A concretização da “Terra Sem Males” despertou invejas e temores. 
O Triunfo da Humanidade foi massacrado e soterrado.
Entre M’Bororé e Caiboaté muita coisa ficou impregnada nesta terra.
As marcas desta história permanecem até hoje. Interferindo diretamente na formação dos atuais habitantes deste solo.
Em cada pedra, em cada canto, vibra esse “sentir inexplicável”. Não é necessário ser muito sensitivo, nem ter nascido nas Missões para senti-la, é uma característica do local, incorporada e defendida pelos que nela moram.
O Missioneiro tal quais os Florentinos, sente ser herdeiro de algo grandioso e pede com energia para ser ouvido, pois tem muito que falar e sabe que é urgente falar.
É função primordial de qualquer artista traduzir esse “sentir” na forma da sua Arte. Fazendo da Arte uma ponte com o passado e uma janela para o futuro.
Por isso a existência do estilo artístico Realismo Missioneiro e seu lema:
 “Exaltar e Reivindicar o Esplendor das Missões”.
Para rasgarmos o véu de sonolência que nos cobre há anos!

Setembro de 2015
Vinícius Ribeiro escultor.




Comunico que foi inaugurada sexta feira passada(dia 05 de fev 2016) a placa denominando o prédio da Prefeitura de São Luiz Gonzaga de "Paço Sepé Tiaraju"
Veja aqui:
http://www.saoluizgonzaga.rs.gov.br/VisualizaNoticia.aspx?ID=12505
E aqui:


Quer saber mais sobre Sepé?
Clica aqui:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2007/09/blog-post_14.html



Abaixo um poema sobre esse tema:

“Muito mais que simples Reduções”                                                                        
Do esplendor, nem ruínas!
Das ruínas, nem pó!
Tudo destruído,
Tudo soterrado,
e muito bem esquecido.
Na grande, rica mesa,
onde assinaram o tratado,
mãos sutis, mentes ardis,
(quase, quase despercebidas)
coordenavam com maestria
as mãozinhas dos soberanos.


Os motivos verdadeiros
como sempre ocultados.
Realeza trocando terreno??
Ciumeira entre os “sagrados”!?

Medo, terror, assombro!
da terra sem males vivenciada
e sua audaciosa “pretensão celeste”
Que lentamente, concorrendo, atormentava!


“Caminhando e compactando!
Bases profundas de algo grandioso

Aos poucos, vamos soterrando... ”

Vinícius Ribeiro
17 de fevereiro de 2007

sábado, 30 de janeiro de 2016

Un Saludo a los Payadores


A difícil arte da Pajada comemora hoje seu dia. 
Em homenagem ao nascimento do seu mestre: Jayme Caetano Braun.

Saber falar de improviso, rimando e acima de tudo opinando...
Isso é para poucos!

Sinto que vão escasseando os pajadores. 
Eles sempre foram em número pequeno. Porém hoje menos.

Os grandes mestres começam falando da vida do campo, das coisas do dia a dia que não conseguimos notar e com eles notamos.
Depois levantam bandeiras, sendo a voz dos excluídos que estavam ao nosso lado sem percebermos.
Mais tarde, quando a idade ilumina mais o entendimento, procuram na filosofia gaudéria, descobrir o sentido da vida e do mundo. 
Passam a ser tochas acessas para todos nós que viemos atrás tropeçando na escuridão.

Precisamos desta Arte!

Hoje mais do que nunca!


Para saber mais sobre a vida do homenageado de hoje:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2007/09/blog-post_7622.html

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Abrindo o Paço

Sepé Tiaraju no "paço" certo.

Em 2009 , nós do Atelier de Artes Los Libres, havíamos protocolado na Prefeitura de São Luiz Gonzaga, pedido de denominação do prédio da Prefeitura para 
Palácio Sepé Tiaraju.


O objetivo era de que todos os documentos oficiais contassem com a denominação no endereço.
Uma atitude simples, sem custos algum para o município porém com apelo turístico e cultural. 
Uma maneira também da cidade demarcar território antes que outros façam. 

Sepé Tiaraju é desejado por muitos... 

Duvida?? Veja aqui:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2013/02/o-mito-acima-da-historia.html

A Prefeitura na época não deu nenhum parecer...

Passado seis anos depois do primeiro envio, comentamos recentemente esse fato com a assessoria da prefeitura e a ideia foi abraçada imediatamente pelo atual prefeito sr. Junaro Rambo Figueiredo(diretor do Departamento de Turismo da Fundação das Missões)que solicitou que reenviássemos o pedido. 
Desta feita o pedido foi com o aval do Conselho de Turismo
Concordamos com a sugestão do prefeito de substituir a palavra Palácio, por Paço. No fundo quer dizer a mesma coisa, porém ameniza qualquer maledicência dos gaiatos de plantão que nada entendem, nada fazem e tudo criticam.

Para nossa surpresa a lei foi aprovado na sessão na Câmara de Vereadores no dia sete de Dezembro de 2015 por unanimidade(veja abaixo).
Digo surpresa pois sabemos de resistência com relação a figura de Sepé Tiaraju, por pessoas influentes da cidade.
A lei foi até parar(a pedido) na Comissão de Bem Estar Social durante algumas semanas...
Que bom que não houve mal estar e tudo foi compreendido.

Nada mais correto da parte dos vereadores do que homenagear este líder nativo, filho de São Luiz Gonzaga.












Na foto recebendo do Prefeito, cópia da lei.




Temos mais ações para realizar com relação a esse símbolo do Rio Grande do Sul/Brasil. Aos poucos faremos.





Grupo de amigos Defensores da figura do Sepé São-Luizense e Missioneiro:
Da esq, para direita: José Renato Moura, Arno Schleder, Vinícius Ribeiro, Sávio Moura e Newton Alvim.





Um Mundo sem a Cultura, está a caminho da barbárie e do extremismo.
Ela nos aproxima das alturas e nos diferencia das bestas.


Para saber mais sobre Sepé Tiaraju, clique aqui:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2007/09/blog-post_14.html




segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A maior "Arte" de Noel Guarany








Inauguramos sábado último, dia 07 de Novembro de 2015, o Monumento em homenagem ao músico Noel Guarany.
Noel é considerado uma das maiores fontes da música  produzida no Rio Grande do Sul.


Foi um dos Quatro Troncos Missioneiros, junto com Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Pedro Ortaça, criador do estilo musical que conta a história, a vida e a alma da região histórica das Missões; a primeira região habitada desta parte do continente(desde 1626).
Aqui houve algo fantástico e estes homens traduziram sentimentos, ensinando a todos nós a conhecer e por consequência amar nossa história.
Noel Guarany foi genial e genioso, característica comum daqueles que enxergam a vida do alto das copas das árvores, genial porque estava anos na frente dos demais e genioso por causa deste caminho ser no fundo, solitário.




O Monumento e a bela Praça em sua homenagem foi todo construído com doações voluntárias dos inúmeros admiradores de sua obra.
A campanha foi feita pela Confraria do Icamaquã, entidade cultural da cidade de Bossoroca e o segredo maior do sucesso alcançado foi devido a credibilidade dos seus componentes.
Provando mais uma vez, tal qual fizemos aqui em São Luiz Gonzaga, na construção do Monumento em Homenagem ao poeta Jayme Caetano Braun, de que a Arte tem o Poder de Unir os Povos.



Não há nela dinheiro público investido. 
Houve sim a doação do terreno e o apoio logístico importante da prefeitura.














No meu pronunciamento ocorrido em reunião que houve na Câmara de Vereadores de Bossoroca(no início do ano), para tratarmos dos primeiros passos da homenagem, disse a seguinte frase:
"O Monumento do Noel Guarany poderia ser realizado em qualquer cidade do Rio Grande, mas apenas em dois locais ele seria perfeito: Em São Luiz Gonzaga ou Bossoroca! Antes da Bossoroca escolher Noel, Noel escolheu a Bossoroca primeiro!"

Ele sempre teve carinho pela cidade de Bossoroca.
Tive dúvidas com relação ao local de seu nascimento, não que isso queira dizer muito pois Aparício Silva Rillo nasceu em Porto Alegre e deixou seu coração em São Borja...
Cenair Maicá nasceu no interior de Tucunduva e encontrou seu caminho ao conviver com os índios na cidade de São Miguel das Missões.


Dias desses, pessoa muito próxima de Noel, contou-me desta sua opção pela cidade de Bossoroca. 
Noel tinha mágoas de algumas pessoas (ditas importantes) de São Luiz Gonzaga, que ridicularizaram seu trabalho devido a demora do lançamento de seu primeiro disco, duvidando da existência do mesmo. 
Ser músico naquela época pioneira não era coisa fácil. 
Músico era sinônimo de boemia e vadiagem.
Imagino o que ele sentiu. 
A cidade de Bossoroca recebeu ele de braços abertos. Acreditando e apoiando ele sempre!

Por isso sua escolha em ser o cantor da Bossoroca e de ser enterrado lá.
Esta sua prova de carinho com Bossoroca foi a sua maior "arte", pois omitiu até na sua auto-biografia o local de seu nascimento...
Parabéns Bossoroca!
Família a gente têm, amigos a gente escolhe.
Noel escolheu vocês!


Repasso abaixo aos interessados a certidão e local exato de seu nascimento.
Sem nenhuma intenção de polemizar ou criar mal estar.
Acredito que todos nós já somos maduros o suficiente para recebermos informações e não retê-las, escondendo dos demais:













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A certidão foi gentil doação da Oficiala Registradora Sra. Ana Lúcia Da Cas, esposa do amigo Fabio Sauer Kreuz.